quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Segue a festa...

“Vamos lá rapaziada, tá na hora da virada....”. Se a minha memória, que nunca foi lá essas coisas, não estiver me traindo, esse é um pequeno trecho de uma música da rainha do samba, Beth Carvalho. A matriarca do partido alto já cantava esse tema nos anos oitenta anunciando coisas novas.

Por falar em volta ao tempo, resolvi fazer uma reflexão e comparar tudo o que aconteceu neste planeta desde o meu nascimento. Sim, desde o meu nascimento senhores. Vejamos. Nasci em 1974, fevereiro, Carnaval, um outro século. Naquele ano, a ditadura reinava nesse país. Vamos a uma lista de fatos interessantes daquele período até bem pouco tempo atrás ?

1974 - O americano David Kunst termina a primeira volta ao mundo feita a pé. Ele gastou 21 pares de sapatos e demorou 4 anos para completá-la. (05/outubro/1974).

1977 - Pelé fez sua última partida como jogador profissional. Na despedida, ele marcou um gol de falta na vitória do Cosmos, de Nova York, por 2 a 1 sobre o Santos, time que projetou o jogador. (01/outubro/1977).

1978 - O presidente Ernesto Geisel assina um documento que revogava o Ato Institucional nº 5 a partir de janeiro do ano seguinte. O AI-5, lançado em 1969, foi o instrumento mais severo durante a ditadura militar. (13/outubro/1978).

1978 - O cardeal polonês Karol Wojtyla é eleito papa da Igreja Católica. João Paulo II, nome adotado, foi o primeiro papa não-italiano em 456 anos. (16/outubro/1978).

1979 - Pela primeira vez um Papa, João Paulo II, entra na Casa Branca, residência dos presidentes norte-americanos. (06/outubro/1979).

1978 - O Congresso Nacional elege o general João Baptista Figueiredo presidente da República. (15/outubro/1978).

1979 - O jornalista Fernando Gabeira lança o livro O que é isso, companheiro?, que se tornou filme e concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. (31/outubro/1979).

1980 - Começa a funcionar nos Estados Unidos o primeiro serviço bancário por computador, chamado de home banking. (09/outubro/1980).

1984 - A primeira-ministra indiana Indira Gandhi é morta a tiros por membros de sua guarda de segurança enquanto andava no jardim de sua casa. (31/outubro/1984).

1986 - Vazemento de 22 mil litros de água radioativa de uma das usinas de Angra dos Reis. A fato levou pânico a população de Angra e Paraty. (08/outubro/1986).

1988 - A URSS acaba com a usina de Chernobil. (09/outubro/1988).

1988 - O presidente José Sarney embarca para uma visita oficial à União Soviética, a primeira de um dirigente brasileiro ao país. (14/outubro/1988).

1989 - O presidente José Sarney sanciona a lei do divórcio. (17/outubro/1989).

1990 - Um milhão de alemães festejam em Berlim a unificação do país. Passa a ser comemorado anualmente como "Dia da Unidade". (03/outubro/1990).

1992 - A polícia brasileira reprime um motim na penitenciária do Carandiru, em São Paulo. Morreram 111 presos. (02/outubro/1992).

1992 - Um avião supersônico Concorde francês dá a volta ao mundo em 32 horas e 49 minutos, estabelecendo um novo recorde. (13/outubro/1992).

1993 - O Conselho central da OLP rartifica o acordo de paz com Israel e decreta Yasser Arafat como autoridade máxima palestina. (11/outubro/1993).

1993 - Morre Federico Fellini, cineasta italiano. (31/outubro/1993).

1994 - Fernando Henrique Cardoso vence as eleições gerais no Brasil, com 54,3% dos votos. (03/outubro/1994).

1996 - Queda de um avião da companhia aérea TAM, em São Paulo, matou 99 pessoas. (31/outubro/2996).

1997 - O papa João Paulo II chega ao Rio de Janeiro para sua terceira visita ao Brasil. (02/outubro/1997).

1999 - Nasce o indivíduo seis bilhões do planeta Terra. (12/outubro/1931).

Século 21:

2001 - Registrado o primeiro caso de antraz nos Estados Unidos. A vítima é Robert Stevens, de 63 anos, editor de fotos do semanário The Sun. Ele morre no dia seguinte. (04/outubro/2001).

Muito bem. Alguém aí leu alguma notícia interessante relacionada aos negros ? Ah sim, tem uma, a que fala do fim da carreira do Pelé. Algum fato político importante relacionado aos negros e negras desse planeta ? Pois é, não. Enfim, a justiça tarda mas não falha. Demoramos tempo demais para poder comemorar e ver renovada a esperança por dias melhores. Viva a democracia, arma capaz de mudar a história. A chegada de Barak Obama ao poder na maior potência da terra. Ver um negro assumir o poder e deixar perplexa uma multidão de pessoas inconformadas (os contrários...hehehe), é lavar a alma e acreditar sim que Deus não deve ter reservado o fim dos dias contrariando especialistas que insistem em afirmar a terra ira acabar em uma imensa bola de fogo. Bem, estamos assistindo a um momento ímpar, um divisor de águas, é preciso celebrar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eles chegaram lá, em primeiro



“I had a dream”, ou simplesmente, “Eu tive um sonho”, frase do discurso memorável de Martin Luther King em 25 de agosto de 1963. Naquele tempo, era preciso empreender lutas cada vez mais rígidas contra o preconceito racial cada vez mais vivo nos Estados Unidos da América. Tempos de luta romântica, porém, necessária para os resultados sonhados por líderes como King, Ghandi e outros. Rosa Parks, a mulher negra que se recusou a dar lugar a um homem branco em um ônibus e que, segundo historiadores, pode ser considerada a grande responsável pelo estopim da luta contra o preconceito racial, talvez não imaginasse que passados quarenta e cinco anos, o mundo seria um lugar digamos, diferente para os negros.

Ora senhores, quem um dia iria imaginar que um inglês e um americano iriam juntos, em um intervalo de três dias, ter a coragem de chocar o mundo, principalmente o mundo branco, com a sua ousadia. Quem foi que permitiu a eles ter a coragem de enfrentar os poderosos olhando na mesma linha dos olhos, sem baixar a cabeça e deixando claro os seus objetivos? Sim, um tal de Lewis e um tal de Barak. Provenientes de diferentes mundos, mas com os mesmos objetivos, ou seja, chegar em primeiro. E chegaram. Agora vem o mundo questionar a capacidade desses moços achando motivos aqui ou ali para dizer, de forma disfarçada, que sua capacidade deve-se ao fato de terem por trás de si grandes estruturas. Ora, se fossem cidadãos brancos teria recaído sobre seus ombros o mesmo par de dúvidas? Será que o sonho de King e Ghandi ainda está longe de se tornar realidade?

Ah esses atrevidos. Será que eles não sabem que é proibido enfrentar um mundo projetado para cidadãos de cor branca? Será que se esqueceram de avisar a eles que para os negros os desafios são imensamente maiores? Para o pai de Lewis Hamilton, a emoção de ver o filho campeão do mundo foi demais, aliás, só perdeu ao ver tantas manifestações de racismo, inclusive no Brasil. Para Barak Obama, a luta começa somente agora. Será preciso derrubar mais e mais barreiras e provar que dignidade não tem cor. Ah esses atrevidos que hoje nos fazem rir à toa. Talvez não partilhemos das mesmas idéias. Talvez, por vivermos em universos diferentes e países com culturas singulares, não tenhamos nada em comum. Talvez. Mas, com certeza, nossa cor, negra sim senhor, é a nossa bandeira mais forte e, tanto aqui quanto lá, a dor do preconceito e de saber da necessidade de provar ter capacidade todo o santo dia, é o gás que nos movimenta, o ar que nos faz respirar, o alimento do nosso espírito e que nos dá a certeza da capacidade que possuímos. Enfim, somos negros senhores e estamos cada vez mais no topo, mas não se preocupem e não se ofendam, aliás, ofender não é a nossa praia. Aprendemos que o respeito, a paciência e o tempo, são a resposta para todas as desigualdades. Ave Obama. Ave Hamilton.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pérolas aos porcos

Segundo o dicionário Aurélio, humildade significa virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza; modéstia, pobreza; respeito, reverência; submissão. Modéstia significa ausência de vaidade; despretensão, desambição, simplicidade; reserva, pudor, decência, gravidade, compostura ou moderação, sobriedade. Ainda há no mesmo dicionário, palavras como caráter (de bom feitio moral; de boas e sólidas convicções) e simplicidade (qualidade do que é simples, do que não apresenta dificuldade ou obstáculo; naturalidade, espontaneidade, elegância; caráter próprio, não modificado por elementos estranhos; forma simples e natural de dizer ou escrever; elegância; ingenuidade, desafetação; sinceridade, franqueza. Para dizer a verdade, a grande pergunta a ser feita é: será que o exercício diário desses hábitos, que podem ser adquiridos ou treinados, está sendo feito regularmente pela maioria da população? Provavelmente não. As provas estão claras como a água, basta apenas um exercício leve de observação de conduta para perceber que poucos são aqueles que conseguem morrer da mesma forma como nasceram, ou seja, desprovidos de vaidade (qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro; desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens; vanglória; presunção, fatuidade; coisa fútil ou insignificante; frivolidade, futilidade, tolice). Um breve olhar à volta basta para perceber a transformação sofrida por alguns homens e mulheres que, travestidos de senhores da verdade absoluta, reinam em palácios públicos com se donos desses fossem. Ora senhores, donos do que? Alguns acreditam ser donos do mundo, ser a mão que balança o berço, ser a roda essencial, ou como dizem os populares, a última bolachinha do pacote. Quanto engano. Mal sabem eles o que dizem as bocas santas ou malditas do povo. Sim o povo. Formado por aqueles que detêm, na grande maioria das vezes, o poder de dizer, quase sempre com razão, a verdade, essa sim, absoluta. Infelizmente, muitas vezes sufocada por alguns trocados ou por restos que servirão para alimentar suas almas, estômagos e corrompê-los. Ainda há que ter fé no povo, nas pessoas simples, na esperança de modificar o panorama. Dias melhores sempre vem, e como vem. Já dizia uma certa ministra há anos atrás, antes de pôr a mão na poupança alheia: No fim tudo acaba bem; se ainda não está bom, é porque o fim ainda não chegou. Sábias palavras, por mais irônico que seja, já que seu fim não foi tão bom assim. Enfim, existem outras palavras no dicionário, tidas como de menor importância, já que o que basta é o poder a qualquer custo e, atropelar os outros para consegui-lo é o que importa. Que tal honestidade (qualidade ou caráter de honesto; honradez, dignidade; probidade, decoro, decência; castidade; pureza; virtude, ou quem sabe sinceridade (qualidade de sincero; franqueza, lealdade, lhaneza, lisura; boa-fé)). Será que Aurélio Buarque de Holanda, o homem que reuniu em uma obra única, as palavras mais ditas na linguagem popular brasileira, poderia um dia imaginar que dentro dos seus dicionários, estariam estas pérolas? Certamente não. Então, que tal finalizar o texto com a mais bela de todas, pelo menos para aqueles que são desprovidos de sentimentos ruins? Que tal felicidade (qualidade ou estado de feliz; ventura, contentamento; bom êxito; êxito, sucesso; boa fortuna; dita, sorte).

terça-feira, 18 de março de 2008

Tchê Guri é o mais novo contratado da ACIT


A gravadora ACIT tem o prazer de informar que o Tchê Guri, um dos grupos mais talentosos e simpáticos da música gaúcha, é o seu mais novo contratado.
E o grupo volta à casa em grande estilo, com CD e DVD a serem gravados em Canoas, no dia 30 de abril, durante a Festa do Trabalhador. A entrada será franca e os fãs terão a oportunidade de conferir o grupo interpretando músicas inéditas, regravações de sucessos nacionais e também da carreira do Tchê Guri.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Crianças ou escudos?

Tenho escutado nos últimos dias perguntas vindas de todos os lados a respeito dos fatos que ocorreram no último dia 06 de março quando 900 camponesas, todas ligadas a Via Campesina e a MST, invadiram a fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, de propriedade da Sotora Enso. Pois bem. As discussões que seguem dão conta de que as mulheres não deveriam ter levado os seus filhos para participar dos protestos, que crianças inocentes não têm absolutamente nada a ver com os problemas dos seus pais, que deveriam estar na escola ao invés de servir de protetores das agressões justamente daqueles que deveriam protegê-los. Quanta coisa não é mesmo? Pois é. A verdade é que poucos se esquecem de dizer que aqui mesmo em Sant’Ana do Livramento, existe pelo menos uma escola que possui um histórico de casos de discriminação com relação a essas mesmas crianças, vocês sabiam disso? Tentem entrevistar adolescentes matriculados na rede pública de ensino e perguntem a eles como são tratados em suas respectivas salas de aula. Não estou defendendo a atitude das mães que levaram seus filhos para uma situação onde sabia que havia uma possibilidade muito grande de conflito. Não senhores, não se trata disso. Pelo contrário, estou apenas querendo que fique bem claro o seguinte: como é possível alguém manifestar repúdio contra as mães dizendo que estas colocaram seus filhos em risco se em outra situação, aqueles que atualmente criticam foram os grande patrocinadores de racismo. Será que eles se esqueceram que todo o ódio que é transferido para aquelas que hoje são crianças inocentes pode ser transferido novamente para eles em um futuro próximo quando essas crianças tornarem-se adultos? É preciso lembrar que essas crianças irão crescer e continuarão morando exatamente aqui, em Sant’Ana do Livramento. Lembre-se disso senhores.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Entre dores e desamores

Ah o cotovelo... maldito sejas tu, ó pobre coitado cotovelo. Duvido aquele que consiga lamber o próprio sem precisar fazer algum tipo de malabarismo de outro mundo. Duvido. Bem, existem aqueles que preferem lamber o cotovelo dos outros, afinal de contas, é mais fácil já que não há espaço suficiente para lamber o seu. Acho incrível a capacidade que alguns elementos possuem, principalmente aqueles que julgam ter inteligência superior (?), pois lêem todos os jornais, escutam todas as rádios, falam vários idiomas (?), viajaram para vários países (?), têm história e histórico para contar (?), de observar, sentados na varanda de casa tomando um chimarrão, cerveja de 5ª categoria ou chá preto disfarçado de whisky, de cuidar, apenas cuidar, o trabalho que é feito pelos outros. Já diria Robin, o famoso parceiro de Batman: Santa imbecilidade. Ah, desculpem, esqueci que a moda agora é DISCUTIR LIVRAMENTO. Pois bem, concordo em gênero, número e grau, porém, antes de discutir Livramento, como pedem tantos, é preciso discutir a importância dada em excesso para alguns que formam suas opiniões baseadas em opiniões alheias. Falta-lhes a capacidade de criar um raciocínio independente. O que lhes resta? O maldito cotovelo. E como dói um cotovelo ferido. Há quem diga que essa história começou por causa de uma moça que ficava na janela vendo a sua vizinha ter muito sucesso com o namorado, enquanto ela, debruçada, só assistia o inchaço dos seus cotovelos e tecia comentários indesejáveis. Ah, quase esqueço, há uma outra versão para o sentimento apelidado de ciúme que, eu, aliás, prefiro chamar de inveja. É a tal da canela inchada. Vamos à história? Uma outra moça, enquanto assistia a sua vizinha ter sucesso com o novo namorado, só sabia falar mal da vida alheia. A cada nova saída da sua vizinha, sorridente, feliz da vida, pois todos os seus planos estavam dando certo, ela dava um chute na quina de uma mesa qualquer demonstrando claro sinal de raiva, INVEJA (repito) e falta de capacidade para obter o mesmo êxito. Afinal, fácil é ser pedra, o difícil é ser vidraça. Xii, já ia me esquecendo. O carnaval dos hermanos. Ah ta. Cópia chula de gêneros musicais criados em outros países com plágio partiturado desavergonhado. Vamos falar de música? História da música, dos músicos, música latino-americana? Lamentavelmente eu não bebo, caso contrário teria o maior prazer em marcar essa conversa, ao vivo, e garanto que não seria o fim do mundo, em um bar qualquer. Bem, aos que toparem conhecer um pouco mais da história dos gêneros musicais, suas verdades e falsidades, fica o convite. É só marcar o dia e o horário, sem cerveja, é claro...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mais Carnaval...

Ah o Carnaval. Que bom seria se os nossos ditos carnavalescos trabalhassem o ano inteiro né? Pois é. Desculpas para que isso não ocorra já não faltam. Uma hora é o desinteresse dos componentes das escolas, outra é a falta de apoio dos governos, outra e a chuva, outra é o frio, o vento, o sol, o dólar, o mercado europeu fechado para a carne bovina brasileira, a ponte fechada na Argentina... ufa, poderia listar mais umas quinze. Enfim... O fato é que, estamos há poucos dias do início da festa profana popular mais importante do país, aquela cuja capacidade de arrecadar recursos para os cofres das escolas de samba e do município possui igual ou maior potencial do que as festas campeiras, por exemplo ,e muito pouco foi feito a respeito. Ah claro, teremos arquibancadas, teremos iluminação, teremos um sistema de som eficiente (espera-se), teremos o apoio incondicional da Prefeitura Municipal. Maravilha. Mas e as escolas? Ah sim, vamos a elas. Iniciaram, em sua maioria, os ensaios há pouco mais de trinta dias. Muitos dos componentes das suas baterias (que, aliás, digo e repito, não merecem até agora levar nota dez), foram colher maçãs na Serra Gaúcha. Fantasias ainda inacabadas. Carros alegóricos por fazer (isso se não chover). Esse ainda é o nosso Carnaval. Está crescendo sim, mas é preciso organizar muito mais. É preciso que as escolas de samba façam a sua parte, pois os organizadores o estão fazendo, e, diga-se de passagem, bem até demais. É necessário criar uma cultura de trabalhar o ano inteiro pára não ficar na dependência dos valores repassados pela Liesa e pela Prefeitura. Não dá mais para ficar no sufoco e ver o crédito nas lojinhas da cidade acabar sem que todo o material tenha sido adquirido. Senhoras e senhores, no sábado começa o mais um Carnaval, por enquanto, esse é o nosso. Deficiente, carente, em fase crescente?