quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eles chegaram lá, em primeiro



“I had a dream”, ou simplesmente, “Eu tive um sonho”, frase do discurso memorável de Martin Luther King em 25 de agosto de 1963. Naquele tempo, era preciso empreender lutas cada vez mais rígidas contra o preconceito racial cada vez mais vivo nos Estados Unidos da América. Tempos de luta romântica, porém, necessária para os resultados sonhados por líderes como King, Ghandi e outros. Rosa Parks, a mulher negra que se recusou a dar lugar a um homem branco em um ônibus e que, segundo historiadores, pode ser considerada a grande responsável pelo estopim da luta contra o preconceito racial, talvez não imaginasse que passados quarenta e cinco anos, o mundo seria um lugar digamos, diferente para os negros.

Ora senhores, quem um dia iria imaginar que um inglês e um americano iriam juntos, em um intervalo de três dias, ter a coragem de chocar o mundo, principalmente o mundo branco, com a sua ousadia. Quem foi que permitiu a eles ter a coragem de enfrentar os poderosos olhando na mesma linha dos olhos, sem baixar a cabeça e deixando claro os seus objetivos? Sim, um tal de Lewis e um tal de Barak. Provenientes de diferentes mundos, mas com os mesmos objetivos, ou seja, chegar em primeiro. E chegaram. Agora vem o mundo questionar a capacidade desses moços achando motivos aqui ou ali para dizer, de forma disfarçada, que sua capacidade deve-se ao fato de terem por trás de si grandes estruturas. Ora, se fossem cidadãos brancos teria recaído sobre seus ombros o mesmo par de dúvidas? Será que o sonho de King e Ghandi ainda está longe de se tornar realidade?

Ah esses atrevidos. Será que eles não sabem que é proibido enfrentar um mundo projetado para cidadãos de cor branca? Será que se esqueceram de avisar a eles que para os negros os desafios são imensamente maiores? Para o pai de Lewis Hamilton, a emoção de ver o filho campeão do mundo foi demais, aliás, só perdeu ao ver tantas manifestações de racismo, inclusive no Brasil. Para Barak Obama, a luta começa somente agora. Será preciso derrubar mais e mais barreiras e provar que dignidade não tem cor. Ah esses atrevidos que hoje nos fazem rir à toa. Talvez não partilhemos das mesmas idéias. Talvez, por vivermos em universos diferentes e países com culturas singulares, não tenhamos nada em comum. Talvez. Mas, com certeza, nossa cor, negra sim senhor, é a nossa bandeira mais forte e, tanto aqui quanto lá, a dor do preconceito e de saber da necessidade de provar ter capacidade todo o santo dia, é o gás que nos movimenta, o ar que nos faz respirar, o alimento do nosso espírito e que nos dá a certeza da capacidade que possuímos. Enfim, somos negros senhores e estamos cada vez mais no topo, mas não se preocupem e não se ofendam, aliás, ofender não é a nossa praia. Aprendemos que o respeito, a paciência e o tempo, são a resposta para todas as desigualdades. Ave Obama. Ave Hamilton.


Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Cleizer, o sonho de Martin Luther king, é o sonho de todos os homens e mulheres de bem desse planeta e, apesar dos pesares, creio firmemente que somos a maioria. Com a vitória de Obama, esse sonho sonhado coletivamente, agora, a partir desse 05 de Novembro começa a ser vivido por milhões, não só na américa, mas em todos os quadrantes do planeta terra. Com a chegada do Obama na Casa Branca vislumbramos um horizonte de menos guerra, de mais respeito às diferenças e aos diferentes e, sobretudo de mais paz entre os povos! Quando povoarmos esse planeta de lideranças como Obama e Lula, certamente, daremos um passo na efetiva construção de nações verdadeiramente civilizadas e humanizadas! Vida longa a Obama! Luz e Paz! Belo artigo Cleizer!