segunda-feira, 17 de março de 2008

Crianças ou escudos?

Tenho escutado nos últimos dias perguntas vindas de todos os lados a respeito dos fatos que ocorreram no último dia 06 de março quando 900 camponesas, todas ligadas a Via Campesina e a MST, invadiram a fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, de propriedade da Sotora Enso. Pois bem. As discussões que seguem dão conta de que as mulheres não deveriam ter levado os seus filhos para participar dos protestos, que crianças inocentes não têm absolutamente nada a ver com os problemas dos seus pais, que deveriam estar na escola ao invés de servir de protetores das agressões justamente daqueles que deveriam protegê-los. Quanta coisa não é mesmo? Pois é. A verdade é que poucos se esquecem de dizer que aqui mesmo em Sant’Ana do Livramento, existe pelo menos uma escola que possui um histórico de casos de discriminação com relação a essas mesmas crianças, vocês sabiam disso? Tentem entrevistar adolescentes matriculados na rede pública de ensino e perguntem a eles como são tratados em suas respectivas salas de aula. Não estou defendendo a atitude das mães que levaram seus filhos para uma situação onde sabia que havia uma possibilidade muito grande de conflito. Não senhores, não se trata disso. Pelo contrário, estou apenas querendo que fique bem claro o seguinte: como é possível alguém manifestar repúdio contra as mães dizendo que estas colocaram seus filhos em risco se em outra situação, aqueles que atualmente criticam foram os grande patrocinadores de racismo. Será que eles se esqueceram que todo o ódio que é transferido para aquelas que hoje são crianças inocentes pode ser transferido novamente para eles em um futuro próximo quando essas crianças tornarem-se adultos? É preciso lembrar que essas crianças irão crescer e continuarão morando exatamente aqui, em Sant’Ana do Livramento. Lembre-se disso senhores.

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